{"id":1408,"date":"2025-05-05T21:50:56","date_gmt":"2025-05-05T21:50:56","guid":{"rendered":"https:\/\/innovalab-gw.org\/?p=1408"},"modified":"2025-05-06T13:26:47","modified_gmt":"2025-05-06T13:26:47","slug":"o-triplo-fardo-de-fazer-negocios-na-guine-bissau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/innovalab-gw.org\/fr\/o-triplo-fardo-de-fazer-negocios-na-guine-bissau\/","title":{"rendered":"O \u00ab\u00a0TRIPLO FARDO\u00a0\u00bb DE FAZER NEG\u00d3CIOS NA GUIN\u00c9-BISSAU"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Desafios do setor privado na Guin\u00e9-Bissau, olhar de viv\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um pa\u00eds com um potencial econ\u00f3mico significativo, mas que, na minha perspetiva, enfrenta desafios consider\u00e1veis que impedem o seu desenvolvimento pleno. Neste artigo, exploro os principais desafios e oportunidades do setor privado na Guin\u00e9-Bissau, com base na minha experi\u00eancia enquanto empres\u00e1rio local.<\/p>\n<p><strong>THE BIG PICTURE<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Oportunidades e situa\u00e7\u00e3o micro e macroecon\u00f3mica<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A Guin\u00e9-Bissau possui uma popula\u00e7\u00e3o jovem, com 60% abaixo dos 25 anos, o que representa uma for\u00e7a de trabalho potencialmente din\u00e2mica e inovadora. O pa\u00eds tem 1,6 milh\u00f5es de hectares de terras ar\u00e1veis, dos quais menos de 30% s\u00e3o explorados. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea marinha de 88.000 km\u00b2 oferece uma produ\u00e7\u00e3o de peixe de 86.000 toneladas, representando apenas 20% do seu potencial.<\/p>\n<p>O turismo \u00e9 outro setor com grande potencial. Atualmente, a Guin\u00e9-Bissau recebe apenas 0,1% do seu potencial tur\u00edstico anual, estimado em 1,5 milh\u00f5es de turistas. A localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do pa\u00eds, no cruzamento da CEDEAO e dos PALOP, oferece acesso a um mercado combinado de 770 milh\u00f5es de pessoas, com um PIB de 1,3 bili\u00f5es (<em>trili\u00f5es americanos<\/em>) de d\u00f3lares. Adicionalmente, o pa\u00eds possui reservas de petr\u00f3leo, g\u00e1s e outros recursos naturais.<\/p>\n<blockquote><p>O crescimento do PIB tem sido modesto. Recentemente, ap\u00f3s um encontro com uma miss\u00e3o do FMI neste m\u00eas de abril de 2025, declarou o atual Ministro das Finan\u00e7as da Guin\u00e9-Bissau, Il\u00eddio Vieira T\u00e9: \u201cA economia da Guin\u00e9-Bissau mant\u00e9m-se resiliente, apesar de um abrandamento do crescimento de 5,2% em 2023 para 4,7% em 2024, refletindo, em parte, a menor exporta\u00e7\u00e3o de castanha de caju e os choques clim\u00e1ticos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Prev\u00ea-se que os termos de troca sejam mais favor\u00e1veis em 2025, o que dever\u00e1 contribuir para uma melhoria da posi\u00e7\u00e3o externa e apoiar o crescimento econ\u00f3mico. O d\u00e9fice or\u00e7amental dever\u00e1 baixar para 3% do PIB, em conformidade com a meta do programa da ECF.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A realidade no terreno para quem, como eu, investe e opera no pa\u00eds \u00e9, contudo, bem mais complexa. A infla\u00e7\u00e3o persistente, que rondou os 6%, corr\u00f3i o poder de compra e a rentabilidade. A economia continua perigosamente dependente da exporta\u00e7\u00e3o de castanha de caju em bruto, que representa cerca de 90% das exporta\u00e7\u00f5es e a principal fonte de rendimento para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o rural com base em dados do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Esta monocultura exp\u00f5e o pa\u00eds a choques externos, sejam flutua\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os internacionais, eventos clim\u00e1ticos ou disputas geopol\u00edticas e econ\u00f3micas, como as <em>\u201cTaxas de Donald Trump\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Adicionalmente, o ambiente fiscal apresenta um paradoxo flagrante. Embora a press\u00e3o fiscal global (rela\u00e7\u00e3o impostos\/PIB) seja baixa em compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia da Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria da \u00c1frica Ocidental (UEMOA) \u2013 cerca de 9,6% na Guin\u00e9-Bissau contra 14,2% na UEMOA em 2023 \u2013 a carga para as poucas empresas que operam no setor formal e cumprem as suas obriga\u00e7\u00f5es \u00e9 sentida como elevada e, muitas vezes, desincentivadora. A falta de transpar\u00eancia no sistema tribut\u00e1rio \u00e9 uma queixa comum (\u201cAmigun\u2019dadi e Camaradan\u2019dadi\u201d), criando um ambiente onde, por vezes, o sistema penaliza os intervenientes honestos.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Instabilidade Pol\u00edtica<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Talvez o maior entrave transversal ao desenvolvimento do setor privado seja a instabilidade pol\u00edtica e institucional cr\u00f3nica que assola o pa\u00eds desde a independ\u00eancia. Com um historial de golpes e tentativas de golpe, e dissolu\u00e7\u00f5es parlamentares recorrentes, como a ocorrida em dezembro de 2023, torna-se extremamente dif\u00edcil para as empresas planear a longo prazo, captar parceiros e investidores, confiar na continuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas ou ter a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria para investimentos significativos \u2013 \u201cDinhero ka ousa barudju\u201d (Dinheiro n\u00e3o gosta de barulho). Esta instabilidade \u00e9 uma sombra que paira sobre todas as atividades econ\u00f3micas.<\/p>\n<p><strong>O \u00ab\u00a0TRIPLO FARDO\u00a0\u00bb DE FAZER NEG\u00d3CIOS<\/strong><\/p>\n<p>Para quem decide empreender ou investir na Guin\u00e9-Bissau, a jornada \u00e9 frequentemente marcada pelo que designo como um \u00ab\u00a0Triplo Fardo\u00a0\u00bb \u2013 um conjunto de obst\u00e1culos cumulativos que aumentam os custos, a complexidade e o risco de operar no pa\u00eds. As iniciativas para aliviar estes fardos existem, mas a sua implementa\u00e7\u00e3o e impacto s\u00e3o muitas vezes condicionados pela pr\u00f3pria instabilidade e fragilidade do contexto.<\/p>\n<p><strong>1. FARDO FISCAL FORMAL:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Peso, Complexidade e Transpar\u00eancia:<\/strong> As empresas formais enfrentam uma carga fiscal elevada, num sistema que percebo como complexo e pouco transparente (mais de 68% dos gestores como eu n\u00e3o o consideram transparente \u2013 Estudo <em>PNUD-<\/em> <em>Buildingforwardbetter2021<\/em>). A Guin\u00e9-Bissau foi um dos raros pa\u00edses que viu a introdu\u00e7\u00e3o de novos impostos e taxas durante e ap\u00f3s a pandemia de COVID-19 em resposta ao impacto econ\u00f3mico; foram introduzidos cinco:<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li><strong><em>Imposto da Democracia:<\/em><\/strong> Financia elei\u00e7\u00f5es e atividades democr\u00e1ticas.<\/li>\n<li><strong><em>Imposto de Audiovisual:<\/em><\/strong> Apoia o setor de m\u00e9dia e comunica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong><em>Imposto de Importa\u00e7\u00e3o sobre Materiais de Constru\u00e7\u00e3o:<\/em><\/strong> Aumentado para gerar receitas e incentivar o uso de materiais locais.<\/li>\n<li><strong><em>Taxa de Saneamento:<\/em><\/strong> Melhora servi\u00e7os de saneamento e gest\u00e3o de res\u00edduos.<\/li>\n<li><strong><em>Aumento de Impostos Profissionais:<\/em><\/strong> Inclui impostos sobre rendimentos profissionais e empresariais.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<blockquote><p>Com o objetivo de \u201cmodernizar e alargar a base tribut\u00e1ria\u201d, foi recentemente implementado e alargado o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), considerado a maior reforma fiscal recente, estendendo-se inclusivamente a servi\u00e7os de plataformas eletr\u00f3nicas. Adicionalmente, foi anunciada uma parceria com a empresa N-Soft para implementar tecnologia de comunica\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es em tempo real em setores digitais (dinheiro m\u00f3vel, telecomunica\u00e7\u00f5es, jogos, banca), visando otimizar a cobran\u00e7a de receitas. Reformas mais amplas da gest\u00e3o das finan\u00e7as p\u00fablicas (GFP), apoiadas por parceiros como o BAD e o FMI, tamb\u00e9m procuram aumentar a transpar\u00eancia e o controlo. Mas, paradoxalmente, apesar da press\u00e3o sobre as empresas formais, a cobran\u00e7a geral de impostos (press\u00e3o fiscal de 9,6% do PIB em 2023) permanece baixa em compara\u00e7\u00e3o regional (m\u00e9dia UEMOA de 14,2%), refletindo um baixo cumprimento fiscal geral (menos de 46% das microempresas pagam impostos) e uma base tribut\u00e1ria estreita, muito dependente das grandes empresas (que contribuem com 80% do total).<\/p><\/blockquote>\n<ul>\n<li><strong>Concorr\u00eancia Informal:<\/strong> A concorr\u00eancia de operadores informais \u00e9 um dos maiores obst\u00e1culos para as empresas formais em setores como restaura\u00e7\u00e3o, materiais el\u00e9tricos e eletr\u00f3nicos. Por exemplo, um grande restaurante da pra\u00e7a de Bissau, como o <em>Papaloca<\/em>, que emprega muitos jovens e paga impostos, ter\u00e1 um restaurante m\u00f3vel e informal ao lado da estrada como concorrente. Estes, ao n\u00e3o pagarem impostos nem cumprirem regula\u00e7\u00f5es, operam com custos inferiores, criando uma concorr\u00eancia desleal. Os esfor\u00e7os para facilitar a formaliza\u00e7\u00e3o, como a digitaliza\u00e7\u00e3o do registo de empresas atrav\u00e9s do Centro de Formaliza\u00e7\u00e3o de Empresas (CFE), podem, em parte, reduzir os custos e a complexidade da formaliza\u00e7\u00e3o, incentivando mais empresas a sair da informalidade e nivelando o campo de jogo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>2. FARDO LOG\u00cdSTICO:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Importa\u00e7\u00e3o\/Exporta\u00e7\u00e3o e o Porto de Bissau:<\/strong> O Porto de Bissau, por onde passam cerca de 85% do com\u00e9rcio externo, \u00e9 um conhecido estrangulamento. O assoreamento cr\u00f3nico do canal de acesso limita o calado dos navios, encarecendo o transporte. A infraestrutura \u00e9 inadequada, com falta de capacidade de armazenamento (especialmente refrigerado) e energia fi\u00e1vel. Os procedimentos aduaneiros s\u00e3o complexos, morosos e dispendiosos, com disputas frequentes sobre o valor aduaneiro das mercadorias envolvendo a pr\u00f3pria Dire\u00e7\u00e3o-Geral das Alf\u00e2ndegas, gerando atrasos onerosos (tempo m\u00e9dio hist\u00f3rico de 25 dias para importar). A situa\u00e7\u00e3o agrava-se drasticamente durante a campanha do caju, chegando a paralisar a entrada de outros bens. Isto ocorre apesar das iniciativas e projetos anunciados para a moderniza\u00e7\u00e3o do porto, incluindo a dragagem do canal, a expans\u00e3o do cais, a remo\u00e7\u00e3o de navios naufragados e a informatiza\u00e7\u00e3o do despacho aduaneiro para simplificar e tornar os procedimentos mais transparentes.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Transporte Rodovi\u00e1rio:<\/strong> A alternativa de importar atrav\u00e9s de portos vizinhos (Senegal, Guin\u00e9-Conacri) \u00e9 severamente limitada pela m\u00e1 qualidade generalizada das estradas dentro da Guin\u00e9-Bissau. Apesar de terem sido anunciados pelo Governo da Guin\u00e9-Bissau projetos de reabilita\u00e7\u00e3o de tro\u00e7os importantes, como a estrada Bissau-Fronteira Senegal (a ser financiada pela UE) e o tro\u00e7o Safim-Mpack (com apoio do Banco Europeu de Investimento \u2013 BEI), \u00e9 urgente priorizar estes projetos, entre outros tro\u00e7os transnacionais de impacto econ\u00f3mico.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Transporte A\u00e9reo:<\/strong> O transporte a\u00e9reo de carga enfrenta limita\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, podendo ser uma alternativa importante para as empresas. O Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira (OXB) n\u00e3o possui a certifica\u00e7\u00e3o exigida pela Uni\u00e3o Europeia para o transporte de carga a\u00e9rea, um requisito que impede companhias como a euroAtlantic de utilizar a capacidade de carga dispon\u00edvel nos seus voos a partir de Bissau. A disponibilidade de voos de carga dedicados \u00e9 praticamente inexistente. A gest\u00e3o dos servi\u00e7os de assist\u00eancia em escala (\u2018handling\u2019) foi assumida pela empresa kuwaitiana NAS (National Aviation Services) e a reabilita\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o do terminal est\u00e3o em curso, com a promessa de elevar os padr\u00f5es e obter as certifica\u00e7\u00f5es internacionais necess\u00e1rias. Isto poderia atrair mais companhias, desbloquear o potencial de carga e facilitar viagens de neg\u00f3cios que sempre espont\u00e2neas e urgente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>3. FARDO OPERACIONAL:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Burocracia e Formaliza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Embora se tenham verificado melhorias, o processo de formaliza\u00e7\u00e3o de uma empresa e obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as (constru\u00e7\u00e3o, comerciais) ainda pode ser moroso (at\u00e9 ~14 dias). Apesar das iniciativas em curso com apoio de parceiros para simplificar processos atrav\u00e9s da digitaliza\u00e7\u00e3o no Centro de Formaliza\u00e7\u00e3o de Empresas (CFE), este tempo permanece ainda bastante moroso comparado com outros pa\u00edses como Portugal ou Cabo Verde (onde demora cerca de 3-5 dias). As iniciativas para fortalecer o Estado de direito, como a cria\u00e7\u00e3o de Centros de Acesso \u00e0 Justi\u00e7a (CAJ), visam tamb\u00e9m melhorar o ambiente regulat\u00f3rio, mas necessitam de apoio e fortalecimento do setor. Sem esquecer que os casos judiciais de car\u00e1ter comercial deveriam ser c\u00e9leres, mas na Guin\u00e9-Bissau demoram bastante tempo; n\u00f3s, por exemplo, tivemos um caso de d\u00edvida n\u00e3o paga com uma multinacional que ainda est\u00e1 em curso h\u00e1 mais de 3 anos.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Energia:<\/strong> O acesso \u00e0 eletricidade \u00e9 caro e pouco fi\u00e1vel, sendo a situa\u00e7\u00e3o particularmente prec\u00e1ria fora da capital, Bissau. Isto obriga muitas empresas a depender de geradores dispendiosos. Iniciativas como a OMVG e projetos de energia solar, que poderiam ser alternativas, devem ser devidamente acompanhadas e apoiadas como prioridade.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Internet:<\/strong> O acesso \u00e0 Internet \u00e9 outro calcanhar de Aquiles, sendo identificado como um forte obst\u00e1culo por mais de metade dos gestores num estudo do PNUD. O custo por gigabyte era considerado o mais elevado da UEMOA em 2020 (N\u00e3o encontrei dados recentes). Apesar dos projetos em curso como a liga\u00e7\u00e3o a cabos submarinos, o \u2018backbone\u2019 nacional, a cria\u00e7\u00e3o de um Ponto de Troca de Tr\u00e1fego de Internet (IXP) local (que estou a liderar com a recente criada associa\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/gwix.gw\/\">GwIX<\/a>) e a recente licen\u00e7a atribu\u00edda \u00e0 Starlink, se concretizadas eficazmente, estas iniciativas poder\u00e3o melhorar a conectividade e reduzir os custos a m\u00e9dio prazo.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Acesso a Financiamento:<\/strong> Obter cr\u00e9dito banc\u00e1rio continua a ser um desafio enorme, especialmente para PMEs e novos empreendedores. A estabilidade do pr\u00f3prio setor banc\u00e1rio \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, com a necessidade de resolver a situa\u00e7\u00e3o de bancos subcapitalizados. Existem iniciativas pontuais de apoio ao financiamento e acompanhamento de empreendedores, como as promovidas pela <a href=\"https:\/\/innovalab-gw.org\/\">InnovaLab<\/a>, e parcerias p\u00fablico-privadas, como a <a href=\"https:\/\/innovalab-gw.org\/initiatives\/orik-capital\/\">Orik Capital<\/a>, ainda em fase de <em>\u2018fundraising\u2019<\/em> (angaria\u00e7\u00e3o de fundos), que poder\u00e1 iniciar com apoio previsto do Banco Mundial atrav\u00e9s do WARDIP, representam potenciais novas vias, mas o acesso a financiamento estrutural e sustent\u00e1vel permanece limitado.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas e Capital Humano:<\/strong> A falta de pol\u00edticas consistentes de incentivo e fomento ao setor privado \u00e9 agravada pela instabilidade pol\u00edtica, que dificulta a aprova\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de reformas necess\u00e1rias. Adicionalmente, encontrar m\u00e3o de obra com as qualifica\u00e7\u00f5es adequadas, particularmente em \u00e1reas t\u00e9cnicas, TIC e l\u00ednguas, \u00e9 um desafio, e a informalidade laboral \u00e9 elevada. Programas de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-profissional, muitas vezes apoiados por parceiros internacionais, e iniciativas de incuba\u00e7\u00e3o\/acelera\u00e7\u00e3o procuram colmatar as lacunas de compet\u00eancias e apoiar a resili\u00eancia do tecido empresarial, mas necessitam de ser enquadrados num plano estrat\u00e9gico operacional nacional e acelerados para n\u00e3o continuar a ficar para tr\u00e1s.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>PROPOSTA DE SOLU\u00c7\u00d5ES CONSTRUTIVAS E OPORTUNIDADES<\/strong><\/p>\n<p>Superar este \u00ab\u00a0Triplo Fardo\u00a0\u00bb exige, na minha opini\u00e3o, uma abordagem multifacetada e um compromisso sustentado de todas as partes interessadas \u2013 Governo, setor privado e parceiros internacionais. Algumas vias priorit\u00e1rias incluem:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Estabilidade Primeiro:<\/strong> \u00c9 o pr\u00e9-requisito fundamental. Um consenso pol\u00edtico alargado ou uma alternativa pol\u00edtica seria ao sistema atual e o fortalecimento das institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o indispens\u00e1veis para criar a previsibilidade e confian\u00e7a necess\u00e1rias ao investimento.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Simplificar e Clarificar:<\/strong> Urge uma reforma profunda dos sistemas fiscal e aduaneiro, apostando na simplifica\u00e7\u00e3o radical, transpar\u00eancia e digitaliza\u00e7\u00e3o (com solu\u00e7\u00f5es end\u00f3genas e adaptadas ao nosso contexto e necessiadades). O objetivo deve ser tornar o cumprimento mais f\u00e1cil e vantajoso do que a evas\u00e3o. Crucialmente, os empr\u00e9stimos p\u00fablicos e o apoio dos parceiros devem ser canalizados para investimentos produtivos e infraestruturas de impacto econ\u00f3mico, e n\u00e3o para financiar despesas correntes como sal\u00e1rios.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Infraestrutura Priorit\u00e1ria:<\/strong> Os investimentos devem focar-se onde o impacto econ\u00f3mico \u00e9 maior: a dragagem e moderniza\u00e7\u00e3o eficiente do Porto de Bissau ; a reabilita\u00e7\u00e3o de corredores econ\u00f3micos chave, incluindo estradas que ofere\u00e7am alternativas regionais para importa\u00e7\u00e3o\/exporta\u00e7\u00e3o; e a garantia de fornecimento de energia fi\u00e1vel, especialmente para zonas com potencial produtivo.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Nivelar o Campo de Jogo:<\/strong> S\u00e3o necess\u00e1rias medidas ativas para incentivar a formaliza\u00e7\u00e3o, como regimes simplificados de registo e tributa\u00e7\u00e3o para micro e pequenas empresas, combinadas com uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais eficaz e justa da economia informal.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Investir nas Pessoas:<\/strong> Refor\u00e7ar a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-profissional, alinhando-a com as necessidades reais do mercado de trabalho, \u00e9 vital. O apoio de parceiros como a UE , o Banco Mundial, o BAD e o PNUD nesta \u00e1rea deve ser maximizado e orientado para a empregabilidade de forma coordenada e eficiente.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Desbloquear o Transporte A\u00e9reo:<\/strong> \u00c9 fundamental pressionar pela certifica\u00e7\u00e3o do aeroporto para carga a\u00e9rea destinada \u00e0 UE , o que abriria novas oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o. Os projetos de reabilita\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o de novas infraestruturas aeroportu\u00e1rias devem ter esta componente como priorit\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li><strong>Alavancar Parcerias:<\/strong> \u00c9 essencial uma maior consulta e envolvimento ativo do setor privado na defini\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o dos programas do Governo e dos parceiros internacionais. S\u00f3 assim se garante que o apoio responde \u00e0s necessidades reais das empresas e contribui efetivamente para um ambiente de neg\u00f3cios mais din\u00e2mico.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>POR FIM<\/strong><\/p>\n<p>Fazer neg\u00f3cios na Guin\u00e9-Bissau, hoje, \u00e9 um exerc\u00edcio de lucidez e resili\u00eancia face a um \u00ab\u00a0Triplo Fardo\u00a0\u00bb significativo. Superar a instabilidade pol\u00edtica, aliviar o peso fiscal e burocr\u00e1tico sobre o setor formal, e investir estrategicamente em infraestruturas log\u00edsticas e energ\u00e9ticas s\u00e3o passos cruciais. As solu\u00e7\u00f5es existem e muitas iniciativas est\u00e3o anunciadas ou em curso, mas a sua implementa\u00e7\u00e3o eficaz e sustentada \u00e9 o grande desafio. Com um esfor\u00e7o concertado e prioridades bem definidas, insistindo no investimento em projetos de real impacto econ\u00f3mico e na utiliza\u00e7\u00e3o criteriosa dos fundos p\u00fablicos, a Guin\u00e9-Bissau pode come\u00e7ar a libertar o seu vasto potencial econ\u00f3mico, transformando os fardos em oportunidades para um crescimento mais inclusivo e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por:<\/p>\n<p><strong>ADULAI BARY<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Eng\u00b0 Inform\u00e1tico, Empres\u00e1rio e MBA <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Fundador e CEO da <a href=\"https:\/\/www.bigtechnologies.net\/\">BIGTechnologies SARL<\/a><\/p>\n<p>Co-fundador e PCA de <a href=\"https:\/\/innovalab-gw.org\/\">InnovaLab<\/a><\/p>\n<p>Fundador e PCA de <a href=\"https:\/\/inunde.app\/\">INUNDE SARL<\/a><\/p>\n<p>Presidente <a href=\"https:\/\/gwix.gw\/\">Guinea-Bissau Internet Exchange Point Association (GwIX)<\/a><\/p>\n<p>Bissau, Guin\u00e9-Bissau<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafios do setor privado na Guin\u00e9-Bissau, olhar de viv\u00eancia \u00a0A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 um pa\u00eds com um potencial econ\u00f3mico significativo, mas que, na minha perspetiva, enfrenta desafios consider\u00e1veis que impedem o seu desenvolvimento pleno. 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